Não lavei os seios pois tinham o calor da tua mão.
Não lavei as mãos pois tinham o cheiro do teu corpo.
Não lavei o corpo pois tinha os rastros dos teus gestos;
tinha também, o meu corpo, a sagrada profanação do teu olhar
que não lavei.

Nem aqueles lençóis, não os lavei, nem os espelhos,
que continuam onde sempre estiveram:
porque eles nos viram cúmplices,
e a paixão, no paraíso, parece que era.

Lavei, sim, lavei e perfumei a alma, em jasmim,
que é tua, só tua, para te esperar
como se nunca tivesses ido a nenhum lugar:
donde apaguei todas as ausências que apaguei ao teu olhar.

Bruna Lombardi

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