Os
homens bons, quase sempre
Têm o rosto nas estrelas
E o coração nos canteiros.
Têm fé no nascer dos sóis,
Têm a alegria nos filhos,
E a esperança nos sapatos.
Os
homens bons, fatalmente
Amam mais do que deviam.
Têm mulheres complicadas,
Têm amores de mentira.
Mas são, sobretudo, amados
Como artífices da vida.
Os
homens bons, certamente
São puros como as manhãs.

São tímidos como as pedras,
São fáceis como as crianças.
São homens, como os antigos
São máquinas, se convém.
Os
homens bons, normalmente,
Saem respirando a vida
E chegam cheirando a trabalho.
Os
homens bons, geralmente,
São homens de mulher só.
Não que uma só sempre amassem,
Ou que uma só vez casassem,
Mas é que há um porta-retrato
Na mesa de cabeceira
Enfeitada de memória
Em casa de suas vidas
Que lhes servirá de morada
Após do mundo partirem.
Joeldo
Holanda


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