
Os olhos da gente estão perto da alma,
Dos sonhos que a gente não acalma;
Por trás de olhos claros ou escuros cílios
Por onde passam tantos olhares solitários!
Tudo
o que há no mundo, e há de bom,
É onde toda a beleza e ventura palpitam;
E todo o gesto que há na vida, o desejo,
Tem nos lábios o gosto de um beijo.
Depois
a gente ouve; sons que são feitos,
Para se descompassar o coração no peito;
Palavras doces, sussurradas aos ouvidos,
São coisas que não se esquecem jamais.
E
ouvindo, o corpo vai ritmando uma canção;
E no silêncio batem as asas da nossa ilusão;
E quem tem saudade, aquela saudade triste,
Em que só o vento roça um corpo que insiste.
Então
como em sonho, aspira-se um perfume;
Tão irreal e inconsciente, um aroma repentino,
Que atrai para a pele todos os nossos sentidos,
E aspirando fundo, temos medo que se acabe;
Duas
mãos que querem sentir um corpo vivo,
Vão despertando na gente algum desatino;
Mãos que abraçam consigo o nosso destino,
Em carícias e contatos tão divinos!
O
toque é o sentido que embala sonoro,
Um desejo escondido de sentir-se viva;
Mãos sensíveis que se desejam muito,
Que seja apenas para se tocarem um minuto!
Um
dia a gente ama, e sente tanto,
Quer ouvir, ver, aspirar e provar;
Parece que surge na gente um tal desejo,
Que faz o coração até bater com medo!
E
bate forte, querendo felicidade,
E de tudo se faz para alcançar!
Amar pela alegria total de amar,
E esta alegria nasce só de tentar!
E
isto tudo é o que mantém a vida,
Que renasce nos sentidos todo dia,
E lá de dentro, um pensamento brota fundo;
Será que foi assim que Deus fez o mundo?
Livro
- "O Homem é o Verso, a Mulher o Poema"
Enviado pela Autora: Neuza Maria Spínola
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